A tarde já se despedia devagar, tingindo o quintal de tons dourados quando Marcelo cruzou a porta da cozinha, vindo do fundo da casa. Santiago e Lívia o seguiam logo atrás.
— Vamos embora, bombonzinho! — anunciou Marcelo com um sorriso zombeteiro.
Pedro ergueu uma sobrancelha, indignado.
— Até você agora?
— A revolução começou, acostume-se — Livia rebateu, estalando a língua.
Helena franziu o cenho, confusa.
— Vocês vão pra onde?
Marcelo colocou as mãos nos bolsos, apoiando-se no batente.
— Vamos dar a vocês dois um vale night. Acho que estão precisando — disse com naturalidade, como se aquilo fosse a ideia mais lógica do mundo.
Santiago se aproximou de Helena, envolvendo o ombro dela com o braço.
— Fica tranquila — murmurou. — É só por hoje.
— Mas e…
Antes que a continuasse, Marcelo ergueu uma mão.
— No tempo em que ficamos aqui, fizeram boas melhorias no andar de cima do sobrado. Vamos ficar muito bem acomodados e vigiar tudo de lá. Não se preocupe.
Helena percebeu que não tinha arg