“O castigo de quem tenta prender o passado é assistir, impotente, enquanto o futuro do outro floresce sem pedir licença.”
A casa estava silenciosa quando Silvia entrou, ainda com a bolsa pendurada no ombro. Fechou a porta devagar, quase sem som, e ficou por um instante encostada ali.
A conversa que ouvira atrás da porta do escritório ecoava dentro dela como um sino desagradável.
Não era amor o que movia Cássio. Era Helena. Sempre fora.
Até quando ele a desprezava, Helena ainda ocupava mais espaço do que deveria. E agora, com aquele olhar distante, com aquela inquietação crescente… Silvia percebia algo que temia admitir: O bebê não seria suficiente para prendê-lo.
E se ela não conseguisse o que queria por meio de afeto, atenção ou manipulação…
teria que conseguir através de estratégia.
Andou até a sala em passos lentos, quase felinos, e soltou a bolsa no sofá. Sentou-se devagar, entrelaçando os dedos sobre o ventre.
Não havia mais espaço para ingenuidade. Enquanto aquela mulher existis