####CAPÍTULO 16

CAPÍTULO 12

O silêncio que se instala na imponência daquela sala de reuniões é denso, quase palpável. Dezenas de olhares atentos, perspicazes e habituados ao topo do mundo corporativo se voltam inteiramente em minha direção.

Andrew mantém um sorriso discreto e impecável, dominando a sala com a naturalidade de quem conhece a fundo cada dinâmica daquele andar. Ele dá meio passo para o lado, cedendo o espaço central para a minha presença.

— A senhorita Hadasha Johnson Smith é graduada em Administração de Empresas, possui pós-graduação em Gestão Estratégica e Inteligência Corporativa, é fluente em cinco idiomas e chega para integrar oficialmente a nossa equipe como Gerente de Inteligência Financeira e Planejamento Estratégico.

Alguns diretores fazem um breve e contido movimento afirmativo com a cabeça, enquanto analisam o resumo do meu currículo projetado na enorme tela de alta resolução instalada na parede principal. Observo de relance as expressões compenetradas de homens e mulheres que decidem o rumo de bilhões.

Andrew prossegue, conduzindo a apresentação com absoluto entusiasmo técnico:

— Durante o período universitário, ela desenvolveu um projeto revolucionário de inteligência financeira, capaz de identificar desperdícios operacionais profundos, otimizar processos administrativos complexos, reduzir custos sem comprometer em nada a produtividade e ampliar drasticamente a eficiência na tomada de decisões estratégicas.

Um dos diretores, um homem de traços severos situado no meio da mesa, fecha com um estalo suave a pasta de couro que tinha diante de si e me encara diretamente.

— Li o relatório técnico e a modelagem completa enviada pela universidade. Confesso que fiquei impressionado com a precisão dos algoritmos de contenção de danos.

Outro executivo ao lado concorda imediatamente, ajeitando a postura na cadeira:

— Principalmente porque o projeto não se limita à teoria do setor financeiro. Ele conversa com perfeita fluidez com a logística global, suprimentos, recursos humanos e planejamento operacional. É uma ferramenta viva.

— Exatamente — Andrew sorri, visivelmente satisfeito com a recepção. — Foi justamente essa integração cirúrgica que chamou a atenção da nossa alta gestão.

Ele faz uma pausa e volta-se novamente para a mesa, impondo um tom firme para reforçar a clareza dos acordos jurídicos:

— Vale ressaltar que a empresa não adquiriu a propriedade intelectual da pesquisa. Firmamos um contrato de licenciamento corporativo exclusivo. A patente permanece registrada integralmente em nome da autora, garantindo todos os seus direitos autorais e patrimoniais sobre a criação.

Olho discretamente ao redor da imensa mesa oval. Vejo expressões de curiosidade genuína, cordialidade e elevada expectativa. Para o meu alívio, ninguém ali me olha com desconfiança por conta da minha idade ou por eu ser uma mulher jovem assumindo um cargo desse porte. Ao contrário: percebo um respeito técnico silencioso e sincero.

— Nosso objetivo — Andrew retoma — é implementar inicialmente esse modelo em algumas unidades-piloto de grande porte. Conforme os resultados forem sendo consolidados e refinados, ampliaremos sua utilização para todas as demais operações globais do grupo.

Uma mulher de cabelos grisalhos e elegância aristocrática, sentada à minha esquerda, oferece um sorriso verdadeiramente acolhedor.

— Seja muito bem-vinda à Mobility & Energy, Hadasha. Tenho certeza absoluta de que fará um excelente trabalho conosco.

— Muito obrigada — respondo, sustentando o olhar com serenidade e polidez.

Outro diretor também me cumprimenta com um aceno respeitoso.

— Parabéns pela conquista. É verdadeiramente raro alguém ingressar na companhia já despertando um interesse técnico tão avassalador em todas as pontas da diretoria.

— Espero corresponder à altura da confiança de todos vocês — digo com firmeza sobria.

Andrew indica a extensão da mesa com um gesto cordial.

— Senhorita Hadasha, esta cadeira será sua durante as nossas reuniões estratégicas.

Meu olhar acompanha a direção indicada. A cadeira de couro negro fica estrategicamente posicionada quase ao centro da mesa, permitindo uma visão clara e ampla de todos os participantes do conselho. Agradeço novamente com um aceno leve e me me dirijo até o meu lugar.

Coloco cuidadosamente minha bolsa no chão, ao lado da base da cadeira. Retiro meu notebook, organizo minha agenda de couro, algumas folhas de anotações e minha caneta sobre a madeira polida. Por dentro, luto em silêncio para dominar a ansiedade que insiste em martelar no meu peito. Afinal, não posso ignorar o peso daquele momento: estou sentada no núcleo do poder, diante das pessoas responsáveis pelas maiores decisões corporativas do país.

Enquanto alinho perfeitamente meus documentos, percebo que os diretores retomam gradativamente as conversas baixas, revisando relatórios financeiros, gráficos de desempenho e projeções para o trimestre seguinte. Outros analisam minutas de contratos complexos. O ambiente respira uma concentração absoluta e fria; ali, ninguém desperdiça tempo ou palavras. Tudo é puramente objetivo.

Andrew consulta o relógio de pulso pela terceira vez em poucos minutos.

— O presidente costuma ser extremamente pontual. Ele odeia atrasos.

Como se aquelas palavras tivessem servido de gatilho iminente, o mecanismo silencioso da porta principal se destrava, e ela se abre suavemente poucos segundos depois.

Mantendo meus olhos fixos nas folhas que organizo minuciosamente diante de mim, evito olhar de imediato para a entrada. Apenas escuto o som ritmado e pesado de passos firmes ecoando pelo carpete, aproximando-se da cabeceira.

Uma voz masculina — grave, profunda, marcada por uma autoridade indiscutível — quebra o murmúrio da sala com uma facilidade impressionante.

— Peço desculpas pelo pequeno atraso, senhores. Um investidor de Londres insistiu em concluir uma ligação crucial antes de eu subir para a reunião.

O impacto daquela voz reverbera pelo ambiente. Instintivamente, várias pessoas na mesa se erguem levemente ou respondem em coro:

— Bom dia.

— Bom dia, presidente.

— Seja bem-vindo, senhor.

Continuo revisando rapidamente minhas anotações, sem dar maior importância à comoção. Na minha cabeça, aquele era apenas mais um grande executivo sênior e inacessível, o tal "velho chato e exigente" de quem tanto ouvi falar nos bastidores. Ouço o som arrastado de uma poltrona de couro sendo puxada na cabeceira da mesa, bem no topo do ambiente.

Logo em seguida, Andrew retoma a palavra, dirigindo-se ao recém-chegado com grande deferência:

— Senhor presidente, antes de iniciarmos oficialmente a pauta do dia, permita-me concluir a apresentação da nossa nova gerente.

— Claro — a voz grave responde com uma tranquilidade límpida, acompanhada pelo som de papéis sendo ajeitados sobre a mesa.

Andrew sorri para o conselho e faz um gesto grandioso em minha direção:

— Como eu dizia, senhores, esta é a profissional brilhante responsável pelo projeto de inteligência financeira que a companhia acaba de licenciar. Tenho a profunda satisfação de apresentar oficialmente... Hadasha Johnson Smith.

No exato milissemo de segundo em que meu nome completo ecoa pela sala, o som de digitação do homem na cabeceira cessa bruscamente.

O tempo parece desacelerar de forma aterradora.

Do outro lado da mesa, o presidente da multinacional paralisa completamente o movimento das mãos sobre o teclado, o silêncio mortal se instala na sala de reuniões.

Lentamente... dolorosamente... ele ergue a cabeça.

Seus olhos fixam-se no meu rosto.

Nesse instante, o ar foge completamente dos meus pulmões, todo o peso da minha preparação corporativa, do meu terno impecável, dos meus óculos novos e da minha postura inabalável rui como um castelo de cartas ao vento.

—O mundo ao redor desmorona e desaparece em um estalo.

Vejo a barba perfeitamente aparada cobrindo um maxilar travado e rígido. Os traços marcantes, agora muito mais maduros e imponentes, emoldurados por um terno de corte sob medida que exala poder absoluto. Os óculos de armação escura que apenas acentuam a profundidade do seu olhar.

Mesmo com os anos...

Mesmo com a transformação...

Mesmo sob a armadura do homem mais poderoso daquele edifício...

Eu reconheço cada milímetro daquele rosto. Eu reconheço aquele olhar.

Meu coração falha uma batida violenta no peito, colidindo contra minhas costelas com tanta força que sinto um solavanco físico. Minhas mãos congelam sobre os papéis.

Não... Meu Deus, não... Não pode ser...

Os lábios dele se entreabrem levemente, desprovidos de qualquer máscara executiva, tomados por uma mistura avassaladora de choque, incredulidade e um pavor silencioso. O homem implacável que comanda um império parece ter esquecido como se respira.

A voz dele sai trêmula, rouca, quase num sussurro cortado que rompe a distância da mesa e arde nos meus ouvidos como fogo:

— Hadasha...

Ao ouvir meu nome pronunciado por aquela voz — a mesma voz que ecoou nos meus sonhos mais secretos e nos meus pesadelos mais dolorosos durante cinco longos anos, a voz do homem que me deixou sozinha com o fruto de uma única noite —, ergo lentamente os olhos.

E, naquele instante de puro impacto e dor...

Tudo desmorona. A sala de reuniões desaparece. Os diretores somem, os milhões de dólares, relatórios e a minha carreira recém-conquistada deixam de existir.

Porque ali, sentado na cabeceira da mesa, vestindo a autoridade máxima do dono da Mobility & Energy...

Está Caleb. O pai dos meus filhos.

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