Franck
— Amanhã é Natal. — Ela diz, quebrando o nosso silêncio, enquanto fita a neve caindo quase sem força lá fora. — Será que não vai parar de nevar nunca?
Eu espero que não. Penso, me sentindo meio egoísta. Mas em resposta pego a sua taça vazia e torno a enchê-la.
— A neve já perdeu um pouco da sua força, Mia. Talvez pela manhã ela já tenha cessado de vez.
— Tomara! — Mia sibila, recebendo a taça da minha mão e beberica um pouco da sua bebida. Entretanto, é inevitável não observar os seus lábios pressionarem levemente a borda de vidro fino, enquanto o líquido passa pela sua garganta.
Engulo em seco e decido fazer o mesmo em seguida.
— Cora me matará se eu não chegar a tempo da ceia. — Ela continua.
— Pelo jeito a sua irmã mais velha costuma por ordens nas coisas — retruco. Em resposta ela apenas meneia a cabeça fazendo sim.
— Desde a morte dos nossos pais, a Cora tem cuidado de mim, sabe? Na verdade, ela cuida de tudo. Digamos que ela é a rosca que move toda a engrenagem da família