Franck
— Então, como se faz isso? — pergunto para a minha filha, encarando com diversão a branca neve que cobre o chão como se ela fosse um imenso tapete felpudo.
— É bem simples, papai. Primeiro, você precisa se deitar na neve. Depois começa a abrir seus braços e pernas várias vezes.
— Está me dizendo que isso dará forma a um anjo? — ralho, fitando a menina que me lança um olhar perspicaz.
— Isso. Assim, papai. — Flora imediatamente se deita no chão gelado e começa a mexer seus braços e pernas, e aproveito para tirar algumas fotos suas com o meu celular.
Contudo, eu só consigo pensar em quanto tempo eu perdi longe dela. Esse seu sorriso lindo, essa sua alegria infantil, as suas notas na escola, as novidades do seu dia a dia. Como eu fui tolo em pensar que estava sozinho nesse mundo. E eu sei que decepcionei a Lisa de todas as formas possíveis. Decepcionei a mãe da minha filha, porque eu bem sei que a última coisa que ela esperava de mim era o abandono.
— Vem, papai! — Flora me chama