Adelina
Me consideram uma força da natureza. A final, eu sobrevivi a perda do meu pai e do meu irmão em um trágico acidente de avião. Mas agora vivo sobre a linha tênue entre a vida e a morte de minha mãe. Penso, enquanto observo as dezenas de medicamentos espalhados em cima da minha mesa.
O fato, é que não me considero uma força da natureza. Porque se eu fosse, não estaria com medo de perder a única pessoa que amo nesse mundo.
— Ah, você está tão linda, filha!
A voz fraca de mamãe me faz fitá-la. Ela força um sorriso para mim, mas no fundo, eu sei que as dores a consomem por dentro.
— Ainda não sei se vou a essa festa, mamãe — retruco, separando um coquetel de comprimidos em um pequeno copo descartável.
— Que bobagem, querida. É claro que você vai. E eu quero que se divirta muito essa noite.
— Mamãe...
Tento replicar, mas ela continua. Entrego-lhe os medicamentos e um copo com água.
— Se não quer fazer isso por você, faça por sua mãe, Adelina.
Suspiro quando a campainha começa a toca