Aurora Rossi
Fiquei ali parada, diante da porta fechada, como se ela ainda respirasse a presença dele. Lorenzo. A voz dele ainda vibrava em mim, entre os cantos do meu peito e as rachaduras que ele ajudou a abrir — e talvez, agora, tentasse costurar. Mas ainda era cedo. Tão cedo que doía. Eu precisava respirar, pensar, pintar… ou apenas não desabar.
Dei dois passos para trás, me encostando na parede do corredor, o olhar preso à madeira da porta como se pudesse enxergar através dela. As pala