A rotina de Antônio ficou leve.
De repente, a carroça já não era pesada.
Acordava mais cedo do que Mayana e saía sem comer.
Jailson gostou da mudança. A carroça podia estar lotada e o amigo não reclamava de nada.
Não era uma divisão, nunca falou a verdade sobre isso.
Entregava algumas moedas para Antônio, às vezes até papel velho que o rapaz levava para casa achando ser dinheiro.
Foi exatamente o que aconteceu nesse dia.
Jailson pagou com algumas moedas e pedaços de papel de pão cortados no tamanho de notas.
Se despediram.
Mayana nunca havia avisado o filho e Jailson achou que seria igual.
Mas naquela tarde, Antônio não foi para casa.
Entrou na loja de doces.
Ive gostava e ele queria dar um presente para ela.
Separou a metade do que achou ser dinheiro em um bolso. Aquele pertencia a Mayana, não podia mexer.
A voz da vendedora soou desconfiada.
— O que você quer aqui. Não tenho água para dar, vai embora.
Antônio levantou o rosto, era difícil, o corpo estava acostumado a andar curvado.