Antônio contou a verdade, mas substituiu o nome de Ive.
— Verdade, deja. Ele é pequeno assim...
O rapaz mostrou com a mão.
— O pai do menino queria pedir desculpas porque me machuquei.
— Deveria ter pedido dinheiro. O que vamos fazer com esse monte de roupa chique?
— O cheiro é bom.
Mayana sorriu para o filho.
— Tá bom.
Ele estava com a cabeça no colo da mãe, o carinho dela era gostoso. Mas o de Ive era melhor.
Adormeceu e outra vez sonhou com o anjo.
A menina de olhos azuis e cabelos amarelos. Ela sempre estava lá.
Queria que fosse real.
Ela correndo, rindo, girando com os braços abertos até cair sentada do chão.
Linda!
Mas de repente.
Pela primeira vez desde que começou a sonhar com o anjo ela olhou para ele, bem nos olhos dele.
O rosto sério.
— Ela não é o que você pensa.
E como se fosse possível um sonho dentro do sonho, a garotinha voltou a brincar.
O sonho terminou como todos os outros, com ela sentada entre as suas pernas, os cabelos em seu peito.
Era muito bom.
Antônio acordou