O Refúgio

— Ive?

Antônio passava a mão pelo corpo da menina tentando entender o que havia acontecido.

Ela garantiu que estava bem, mas ele não conseguia acreditar.

— Você me salvou, Antônio.

— Ele?

A pergunta dele carregava o eco de um medo antigo.

No acampamento algumas dores eram tragadas como se fossem fumaça.

Temia que ela estivesse fazendo o mesmo.

Ive respondeu decidida enquanto roubava mais um beijo.

A boca dele era tão boa de beijar.

— Não, ele não me machucou.

Por fim, Antônio quis levá-la para o barraco em que morava.

Era arriscado, mas também soava como uma retribuição do que Ive havia feito por ele.

— Vem para minha casa?

Concordou, mas andar até lá demorou uma eternidade. Ele era pesado, o gesso tinha quebrado na briga e ela pequena demais para ajudar.

Por sorte, as muletas estavam só um pouco a frente.

Quando entraram o cheiro de ervas e sal marinho fez Ive puxar o ar mais forte.

Parecia com o cheiro da pele Antônio.

Procurou por uma cama em que ele pudesse se deitar, mas o rapaz
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