Entre o medo e o abraço.
Antônio estava deitado.
Ouvindo o som dos grilos, sentindo enquanto um deles andava em sua perna.
A sensação de cocegas era diferente para ele.
A voz de Ive entrou em seus ouvidos como se recebesse um tiro que o atravessou ao meio.
Não tinha certeza, mas parecia real.
Mayana não estava em casa e a sua única companhia deveriam ser os grilos.
— Ive?
Antônio não conseguia ficar em pé no barraco. Era mais baixo do que ele.
A perna latejava, o esforço de chegar em casa tinha sido mais do que podia aguentar.
Agora estava pior, mas quando saiu o choro da amiga soou tão claro que a dor já não era pelas pancadas na perna, nem pela carne esmagada embaixo daquele gesso.
Era ela!
As muletas ajudaram apesar de afundarem na terra. Foi guiado pelo som.
Ive estava no chão ele sabia disso.
O choro dela, a respiração, o cheiro... Tudo gritava que ela estava machucada.
Soltou a muleta.
Apoiou a perna machucada, precisava ser mais rápido.
O gesso rachou.
A dor o fez cair. Estava tateando a terra quando s