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Três Meses e Uma Porta Entreaberta

 

Três meses se passaram como páginas viradas rapidamente, e Mariana havia se tornado parte do tecido invisível daquela casa. A rotina era precisa , acordar às seis, chegar pontualmente às oito, vestir o uniforme branco. Theo a adorava. Ele corria para abraçá-la toda manhã, chamando-a de "Mari" com aquela confiança doce de criança que encontrou alguém seguro. Eles construíam mundos com blocos de madeira, liam sobre dinossauros e praticavam inglês.

Helena permanecia distante e avaliadora, aparecendo sempre nos momentos menos esperados, os olhos azuis examinando cada detalhe. Nunca havia elogios, apenas silêncios que Mariana aprendera a interpretar como aprovação tácita.

Mas era Enzo quem ocupava seus pensamentos nos momentos quietos. Ele raramente estava em casa durante o dia, perdido em reuniões e viagens. Mas, ocasionalmente, chegava cedo. E naqueles encontros breves, na cozinha, no corredor, no jardim, havia sempre aquela troca de olhares. Ele perguntava sobre Theo com genuíno interesse. Comentava sobre o clima, sobre um artigo, sobre uma exposição. E Mariana respondia, mantendo a distância respeitosa, chamando-o de "Enzo" apenas quando estavam sozinhos.

Mas sentia o coração acelerar cada vez que ele entrava no cômodo. Notava cada detalhe, a forma como afrouxava a gravata, o cheiro sutil de seu perfume amadeirado, a risada rara quando algo o divertia.

Era perigoso. Ela sabia. Mas não conseguia parar.

Numa quinta-feira de outono, Helena organizara um happy hour para artistas e colecionadores. A casa fervilhava com preparativos,garçons uniformizados, bandejas de canapés, taças de cristal. Mariana mantivera Theo ocupado no segundo andar, longe do movimento, seguindo as instruções: invisível, inaudível.

Às seis e meia, ela colocara Theo para dormir. O menino adormeceu rapidamente. Mariana ajeitou o cobertor sobre ele, beijou sua testa, e saiu do quarto em silêncio.

O corredor estava vazio, o barulho da festa no térreo chegando apenas como um murmúrio distante. Mariana deveria descer, trocar de roupa e ir embora. Mas algo a fez hesitar.

A porta do quarto do casal estava entreaberta.

Nunca estivera ali. Era território proibido, o santuário privado de Enzo e Helena. Mas a curiosidade  pulsou em suas veias. Apenas uma olhada rápida. Ninguém saberia.

Mariana aproximou-se silenciosamente, o coração acelerado. Empurrou a porta levemente.

O quarto era vasto e minimalista, cama king-size com lençóis brancos, paredes em cinza e bege, janelas do chão ao teto. E ali, de pé ao lado da cama, estava Enzo.

Sem camisa.

Apenas de calça social preta, o corpo exposto em toda sua glória masculina. Ombros largos, peitoral musculoso coberto por uma camada sutil de pelos escuros, abdômen definido, pele bronzeada. Ele segurava uma camisa limpa, prestes a vesti-la.

E então ele virou a cabeça.

Os olhos verdes encontraram os dela.

O mundo parou. Mariana congelou, incapaz de se mover, de respirar, de desviar o olhar. Por um segundo interminável, eles apenas se encararam. ela na soleira da porta, ele seminu ao lado da cama, a distância entre eles carregada de eletricidade impossível de ignorar.

Não havia raiva no rosto de Enzo. Nem surpresa. Apenas reconhecimento. Como se ele soubesse, há muito tempo, que aquele momento aconteceria.

Mariana saiu correndo.

Literalmente fugiu, descendo as escadas de serviço com as pernas tremendo, o rosto queimando de vergonha e desejo e medo. Trocou o uniforme às pressas, pegou a bolsa, e saiu sem olhar para trás.

O Uber foi uma tortura silenciosa, cada batida do coração ecoando em seus ouvidos, a imagem de Enzo, aquele corpo, aqueles olhos, gravada em fogo atrás de suas pálpebras.

O que eu fiz? Deus, o que eu fiz?

Quando chegou ao apartamento de Lucas, ela ainda tremia. Ele estava na sala, esperando-a com um sorriso ansioso e uma garrafa de vinho barato sobre a mesinha. Duas velas acesas lançavam sombras nas paredes descascadas.

— Mari! Finalmente!

Lucas se levantou, vindo abraçá-la. Mariana se deixou envolver, enterrando o rosto no peito dele, tentando desesperadamente apagar as últimas horas.

— Tá tudo bem? Você parece estranha.

— Só cansada — mentiu ela, forçando um sorriso. — Foi um dia longo.

Lucas a conduziu até o sofá, servindo vinho em duas canecas desiguais.

— Bom, eu tenho algo que vai animar você.

Ele se ajoelhou no chão, na frente dela, e Mariana sentiu o estômago afundar.

Não. Não agora. Por favor, não agora.

Lucas tirou do bolso uma caixinha de veludo azul-marinho. Suas mãos tremiam ao abri-la, revelando um anel simples, ouro branco com um diamante pequeno e solitário.

— Mari, a gente está junto há quatro anos. Você é minha melhor amiga, meu amor, meu tudo. Eu sei que a gente ainda não tem tudo, mas a gente vai ter. E eu quero construir isso com você. — Seus olhos castanhos brilhavam por trás dos óculos. — Casa comigo, Mariana?

O silêncio foi denso, sufocante. Mariana olhou para Lucas, bom, fiel, previsível Lucas, ajoelhado no chão do apartamento apertado. Olhou para o anel simples, fruto de meses de economia. Olhou para o rosto esperançoso do homem que a amava incondicionalmente.

E, por trás de tudo isso, viu os olhos verdes de Enzo Cavalcanti, o corpo nu, a porta entreaberta.

— Sim.

A palavra saiu antes que ela pudesse detê-la. Lucas soltou um grito de alegria, puxando-a para um abraço apertado, girando-a no ar. Ele deslizou o anel em seu dedo, serviu perfeitamente, e a beijou com uma paixão ansiosa que ela tentou, desesperadamente, retribuir.

— Eu te amo tanto, Mari. Tanto. A gente vai ser feliz. Eu prometo.

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