Cap.16

O homem tosse mais um pouco e respira fundo, ofegante. Ele vira o rosto para mim, ainda deitado na areia, os cabelos claros grudados na testa.

— Obrigado. — Sua voz sai rouca.

Eu só aceno com a cabeça, ainda tentando recuperar o fôlego. Meu corpo inteiro treme, do frio ou do susto, não sei.

Abro os olhos e olho pra ele. Ele é… muito bonito. Tem traços fortes, mandíbula quadrada, e esses olhos azuis que não parecem reais. Parecem os do mar, mas mais claros e intensos.

Me encaram com uma mistura de confusão, alívio e algo mais que não consigo decifrar.

— Por que você tava no mar se não sabe nadar? — pergunto, sentindo minha voz ainda um pouco trêmula.

Ele se apoia nos cotovelos, tentando se sentar e faz uma careta, como se doesse.

— Eu sei nadar. — ele diz, e depois hesita. — Mas…

Fica olhando para as ondas, com o rosto fechado. A sua expressão muda, fica distante, quase sombria.

Ele então suspirou.

Acho que todo mundo tem seus fantasmas. Quem sou eu pra cutucar?

— Tudo bem. — digo
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