O homem tosse mais um pouco e respira fundo, ofegante. Ele vira o rosto para mim, ainda deitado na areia, os cabelos claros grudados na testa.
— Obrigado. — Sua voz sai rouca.
Eu só aceno com a cabeça, ainda tentando recuperar o fôlego. Meu corpo inteiro treme, do frio ou do susto, não sei.
Abro os olhos e olho pra ele. Ele é… muito bonito. Tem traços fortes, mandíbula quadrada, e esses olhos azuis que não parecem reais. Parecem os do mar, mas mais claros e intensos.
Me encaram com uma mistura de confusão, alívio e algo mais que não consigo decifrar.
— Por que você tava no mar se não sabe nadar? — pergunto, sentindo minha voz ainda um pouco trêmula.
Ele se apoia nos cotovelos, tentando se sentar e faz uma careta, como se doesse.
— Eu sei nadar. — ele diz, e depois hesita. — Mas…
Fica olhando para as ondas, com o rosto fechado. A sua expressão muda, fica distante, quase sombria.
Ele então suspirou.
Acho que todo mundo tem seus fantasmas. Quem sou eu pra cutucar?
— Tudo bem. — digo