Meu corpo reagiu antes do meu cérebro. A xícara foi largada na mesa com um baque, o chá respingando.
Levantei como um raio, a dor de cabeça esquecida, e atravessei o escritório e o corredor em poucas passadas largas. Subi as escadas dois degraus por vez, o coração batendo forte no peito não de esforço, mas de um medo súbito e primitivo.
Empurrei a porta do quarto de Laura e o ar saiu dos meus pulmões.
Minha filha estava no chão, sentada no meio de um caos de bloquinhos de madeira. A casinha de bonecas, uma estrutura de quase um metro e meio de altura, estava tombada ao lado dela.
E no seu joelho esquerdo, um riscado vermelho vivo começava a escorrer sangue.
A babá, o nome não importava mais, estava paralisada a alguns passos de distância, com o rosto branco como papel, e os olhos arregalados de puro pânico.
Laura chorava com uma força que abalava seu pequeno corpo, um choro de dor, susto e frustração.
Todo o sangue pareceu drenar da minha cabeça para as pernas, deixando um vácuo gel