Acordo cedo, antes mesmo do despertador tocar. O apartamento está silencioso, só o som distante da rua entrando pela janela. Paulo ainda dorme, já que domingo pra ele só começa depois do meio-dia.
Faço um café simples, forte, desses que acordam até a alma. Como qualquer coisa rápida, pego minha bolsa e saio antes que o peso do dia resolva cair de vez em cima de mim.
Na parada de ônibus, o vento da manhã é frio. Cruzo os braços, observando a rua meio vazia, enquanto minha mente vaga sem pedir licença.
Como será que a Laura tá? Será que já colocaram outra pessoa no meu lugar?
Será que ela acordou me chamando?
Engulo seco e afasto o pensamento.
O ônibus chega e a viagem é longa, quase uma hora até a cidade vizinha. Fico olhando a paisagem passar pela janela, prédios dando lugar a terrenos vazios, enquanto meu coração aperta a cada quilômetro.
Quando desço, caminho mais um pouco até o presídio. Cumprimento alguns policiais que já me conhecem de tanto me ver ali. A revista vem, como sempr