Lucas
Corri até o quarto de Raul, empurrando a porta sem bater. A porta de madeira bateu contra a parede com um baque seco. Ele estava de pé, de costas para a janela, a luz da tarde iluminando o perfil de um homem que parecia ter envelhecido dez anos em dez minutos. Em suas mãos trêmulas, um celular velho. Seu rosto, pálido e cansado, tinha os olhos vermelhos e inchados, como se tivesse chorado, mas as lágrimas haviam secado, deixando apenas a dor.
— Fale. — Minha voz saiu áspera, uma lâmina af