Lilian
Era impossível não notar a diferença gritante entre os Bugatti e os Petrov. Não era apenas uma questão de poder ou dinheiro, era algo mais profundo, algo que se infiltrava sob a pele. Os Bugatti exalavam violência silenciosa, enquanto os Petrov mascaravam tudo com sorrisos treinados, taças de cristal e conversas vazias. Eu via isso de perto. Eu sentia. E sentia, sobretudo, o cheiro da falsidade de Yerik ao me apresentar aos seus aliados como se eu fosse uma joia recém-adquirida.
Eles amavam socializar. Amavam tocar, perguntar, sorrir demais. A minha bateria social havia de esgotado antes mesmo da primeira hora da festa. Ainda assim, eu sorria.
Havia momentos em que eu apenas seguia Yerik em silêncio, como uma sombra bem-comportada, sorrindo como uma boa moça de família. Uma esposa exemplar. Uma grávida de outro homem, mas isso, claro, não contava. Enquanto eu permanecesse sorridente, tudo correria maravilhosamente bem.
Sorria.
Não falasse nada.
Mantivesse a postura.
E não o env