Lilian
Aquilo era pura idiotice.
Eu repetia essa frase como um mantra enquanto andava em círculos pelo quarto, sentindo o tecido do vestido roçar minhas pernas inquietas. Eu não tinha o menor talento para esse tipo de coisa. Nunca tive. Mentir, manipular, agir como peça em um tabuleiro de homens perigosos nunca foi a minha especialidade. Ainda assim, ali estava eu, com um localizador minúsculo escondido entre os dedos, pequeno demais, leve demais, frágil demais. O medo maior não era nem ser descoberta, era simplesmente perdê-lo antes de cumprir sua função.
Coragem, Lilian.
Coragem.
Por aquela hora, todos os convidados já deviam ter ido embora. Depois da atração principal, vulgo eu, ter fugido da festa como o diabo foge da cruz, duvidava que alguém ainda tivesse ânimo para comemorações. Não achei que a noite tivesse terminado bem. Muito menos que Yerik ainda fosse meu fã, se é que algum dia foi.
Meu estômago se contorcia a cada passo que eu dava em direção ao corredor do escritório. Vo