Lilian
A atmosfera naquela casa era pesada. E não apenas pelo fato de estarmos constantemente a alguns graus negativos. O frio parecia vir de dentro das paredes, impregnado no ar, infiltrando-se nos ossos. Tudo ali era sombrio, meticulosamente calculado, excessivamente correto. Cada ângulo parecia ter sido medido com régua, cada linha pensada para nunca falhar. Não havia improviso, não havia calor. Eu jamais conseguiria viver a vida inteira em um lugar tão… quadrado.
Quadrado demais.
Observei as paredes por longos minutos, analisando cores, texturas, tentando encontrar alguma imperfeição. Um erro mínimo que denunciasse humanidade. Nada. Tudo era metricamente perfeito. Aquela casa não parecia feita para pessoas, parecia feita para controle.
Odessa precisou sair logo cedo para tratar de algo que não me disse. Não insistiu em explicar, e eu também não perguntei. Apesar disso, uma pulga incômoda coçava atrás da minha orelha. Algo em mim desconfiava, mesmo sem provas. Ainda assim, me force