Capítulo 47 — Se eu soubesse
Narrador:
Mateo deixou-se cair ao lado dela, com o peito subindo e descendo com força, a pele coberta de suor. Passou a mão pelo rosto e, ainda ofegante, murmurou com um sorriso torto:
— Você não tem ideia das vezes que pensei nisso desde que te vi pela primeira vez... com seu uniforme, com aquele porte tão frio.
Dinorah virou levemente o rosto para ele, os lábios entreabertos, mas não respondeu. Ela se incorporou lentamente, procurou o lençol para se cobrir enquanto se levantava e caminhou até o banheiro em silêncio. Ao fechar a porta atrás de si, ela se inclinou sobre a pia e abriu a torneira. A água fria bateu em seu rosto, deslizando por sua pele ardente. Ela se agarrou às bordas da pia, respirando fundo, olhando-se no espelho com os olhos bem abertos.
— Isso é loucura... — sussurrou entre dentes, com raiva e perplexidade — O que diabos você fez, Dinorah?
O reflexo não lhe devolveu respostas, apenas a imagem de uma mulher que acabara de cruzar uma linha