87. FRATURA INVISIVEL
A chuva havia parado, mas o mundo ainda parecia molhado demais, pesado demais, como se o céu tivesse esquecido de respirar. As nuvens permaneciam imóveis, suspensas, carregando algo que não caía — assim como certos segredos que se recusam a vir à tona.
Caio estacionou o carro em frente à casa de Isabela. O motor foi desligado, mas ele não se moveu. Permanecia ali, com as mãos apoiadas no volante, os olhos perdidos em algum lugar que não era o presente. Dentro dele, algo rangia, uma engrenagem an