O corredor da clínica em Guadalajara tinha aquele cheiro limpo e frio que fazia qualquer pessoa lembrar que o corpo é frágil, por mais que a cabeça insista em comando contrário. Rafael caminhava ao lado da maca com a mesma expressão de quem atravessava um campo minado, os olhos presos no rosto de Camila como se a qualquer segundo alguém pudesse arrancá-la dali.
Ela não estava desacordada, não estava sangrando, não gritava de dor. Ainda assim, o medo instalado no peito dele desde o bloqueio na estrada não arrefecera nem um pouco. Cada vez que o carro tremeu diante da manobra forçada, ele viu, por um segundo, a imagem da fábrica em chamas se sobrepondo ao corpo de Camila encolhido no banco. Quando ela levou a mão ao ventre, pálida, e sussurrou que sentia uma pressão estranha, algo dentro dele simplesmente estalou.
— Senhor Villalba, vamos precisar que o senhor espere do lado de fora por alguns minutos — a médica disse, já dentro da sala de exame. — Quero primeiro medir pressão, ouvir o