Ingrid entrou no escritório como quem pisa em território que já conhece, porém não domina. Já tinha estado ali outras vezes, sempre à margem das decisões, trazendo café, devolvendo documentos, respondendo a perguntas práticas. Naquela tarde, no entanto, havia algo diferente no ar, uma densidade que não vinha de contratos, e sim de algo que não cabia nas pastas empilhadas sobre a mesa de Rafael.
Camila estava sentada na poltrona em frente, o corpo levemente inclinado para a frente, as mãos cruzadas sobre o ventre, como se o gesto fosse ao mesmo tempo instinto de proteção e tentativa de se manter firme. Rafael permanecia atrás da mesa, não na postura habitual de executivo, e sim um pouco mais próximo da borda, com o dossiê aberto à sua frente, pronto para ser alcançado.
Ingrid fechou a porta devagar, os olhos andando de um para o outro até pousarem na pasta.
— Se eu soubesse que era reunião tão séria, tinha pedido tempo para passar um batom — comentou, tentando mascarar o desconforto co