O quarto ainda estava em meia penumbra quando Camila acordou, com a sensação estranha de que o mundo tinha mudado, mas tudo ao redor parecia igual. As cortinas pesadas filtravam a luz do começo da manhã em faixas douradas que escorriam pelo chão de madeira até a base da cama, o ventilador girava num ritmo constante lá em cima, e, do lado de fora, chegavam sons distantes da Hacienda despertando: um motor de caminhonete roncando no pátio, vozes trocando instruções em espanhol, algum metal se chocando contra outra superfície na área dos galpões.
Ali dentro, porém, o tempo parecia andar em outro compasso.
Ela ainda estava deitada, meio virada de lado, quando percebeu o peso da mão de Rafael sobre o ventre. Não era um gesto casual; ele dormira assim. Um braço por baixo do pescoço dela, o outro abraçando sua cintura, a palma aberta, quente, repousando sobre a camiseta simples de algodão cinza, um pouco amarrotada da noite mal dormida. O peito dele encostava nas costas dela, o calor do corpo