Quando o funcionário deixou o recado e fechou a porta, o quarto pareceu encolher em volta dos dois. Camila ainda estava meio recostada nos travesseiros, o lençol até a altura da cintura, a bandeja do café já retirada para a poltrona. Rafael continuava ao lado dela na cama, de corpo inteiro voltado para ela, uma mão apoiada no colchão, a outra ainda pousada sobre o ventre como se aquele ponto fosse a única coisa realmente sólida em todo o território Villalba.
Ela respirou fundo, sentindo a batida insistente do próprio coração, e encarou o rosto dele. Os traços duros ficaram ainda mais severos. A boca se fechou num traço fino, e o olhar escureceu de um jeito que ela já tinha aprendido a identificar: não era desejo, era cálculo misturado com raiva fria.
— Você não vai.
A frase veio antes de qualquer discussão, seca, clara, sem espaço para interpretação.
Camila ergueu o queixo, sentindo a irritação subir quase no mesmo compasso do medo.
— Rafael…
— A Luna não vai te usar de entretenimento