A SUV entrou pelos portões da Hacienda com menos pressa do que costumava, como se Rafael quisesse, de propósito, prolongar um pouco mais aquela bolha que ainda existia entre eles dentro do carro. A poeira baixava devagar no espelho, e Camila, com a cabeça recostada no encosto, sentia o coração voltar a um ritmo menos descontrolado, embora ainda houvesse um resto de tremor nos dedos, como se o beijo no acostamento tivesse deixado consequências físicas além das óbvias.
Quando o veículo parou diante da entrada principal, ele desligou o motor, apoiou o braço no volante por um segundo e virou o rosto para ela, sem a dureza de antes, mas também sem qualquer tentativa de suavizar o que tinham vivido.
— Você vai direto para o quarto ou para o laboratório? — perguntou.
— Para o quarto — respondeu, depois de pensar por um instante. — Preciso guardar umas coisas e tomar um banho antes de encarar qualquer pessoa.
Rafael assentiu, saiu primeiro, deu a volta no carro e abriu a porta do lado dela co