CAPÍTULO 58 — A NOITE EM QUE ELE FOI ABRIGO

Camila deixou a carta dentro da pasta, trancou a mala e saiu do banheiro com o cabelo ainda úmido, a pele quente do banho recente e uma fadiga que vinha de um lugar mais fundo do que o corpo. A cabeça girava nas frases de Ingrid como se cada linha tivesse sido escrita para rasgar um pedaço diferente daquilo que ela entendia por lealdade, e, mesmo assim, havia algo de estranhamente lúcido no meio daquela dor, como se, pela primeira vez, alguém tivesse explicado com todas as letras o tipo de jogo em que sempre viveu sem ser consultada.

Vestiu uma calça de tecido leve e uma blusa simples, prendeu o cordão da chave no pulso, como se fosse uma espécie de pulseira de guerra, e só então pegou o celular na mesa de cabeceira. A mensagem de Rafael ainda estava aberta na tela, com aquele “nossa ruína” que tinha mexido em um ponto que ela vinha tentando manter anestesiado desde que tinha pisado na Hacienda. A resposta que já tinha enviado parecia agora formal demais diante da carta recém-lida, ma
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