Camila tinha a sensação de que o chão do hospital estava um pouco mais longe dos pés, como se estivesse andando sobre algo instável, flutuando entre dois mundos: o em que a mãe morrera anos atrás e o em que ela poderia estar viva, andando pelos mesmos corredores de pedra da Hacienda, conversando com a mulher que mais a assustava naquele tabuleiro, como se nada tivesse acontecido.
Rafael caminhava ao lado dela, a mão pousada em suas costas, guiando-a como fizera tantas vezes desde que aquele cerco começou. O toque era firme, constante, mas não invasivo. Ainda assim, a mente dela oscilava entre o conforto do gesto e a vontade de arrancar respostas que ele ainda não tinha.
Os seguranças os acompanhavam a alguns passos de distância, atentos, olhos varrendo o estacionamento, o portão, os carros que entravam e saíam. O mundo lá fora seguia o fluxo habitual, mas Camila tinha a sensação de que alguém, em algum lugar, estava observando o movimento dos dois com um interesse que não tinha nada d