O caminho até a capela parecia mais longo do que de costume, embora não fosse. Camila já o conhecia de tantas idas e vindas pela Hacienda, mas naquele dia cada passo carregava um peso diferente, como se o chão guardasse pegadas que só agora ela estivesse disposta a enxergar. O corredor lateral terminava em uma porta de madeira antiga, seguida por um trecho de pátio com pedras irregulares e um pequeno jardim que alguém ainda insistia em manter vivo, apesar da secura do clima e da secura de fé que pairava sobre aquele lugar.
Dois seguranças iam alguns passos à frente, varrendo o entorno com o olhar. Outros dois vinham atrás, fechando o cerco. Rafael caminhava ao lado de Camila, a mão às vezes roçando nas costas dela, não por acaso, mas para lembrá-la de que estava ali, de que o corpo dele continuava entre ela e qualquer coisa que viesse na direção errada.
— A última vez que você esteve aqui foi quando? — ele perguntou, sem tirar os olhos da frente.
— No velório do seu pai — ela responde