O trajeto até o hospital pareceu mais longo do que realmente era. A cidade, vista de dentro do carro blindado, não tinha qualquer charme; era só um conjunto de ruas com fachadas antigas, paredes descascadas, letreiros disputando espaço e um calor que insistia em subir do asfalto como se quisesse invadir tudo. Camila sentia o mundo passar pela janela sem enxergar nada de verdade. O pensamento estava preso em uma única imagem, repetida até o limite: a mãe dela, em pé em algum canto da Hacienda, viva, respirando, e ainda assim calada.
Rafael dirigia com as mãos firme no volante, o maxilar travado, os óculos escuros escondendo uma parte do que ele pensava, mas não o suficiente para enganá-la. Ela já sabia reconhecer o silêncio tenso dele, diferente daquele silêncio estratégico que usava com o resto do mundo. Ali, havia algo mais bruto, uma combinação de medo, irritação e uma desconfiança que ele não sabia para onde apontar.
— Você acha que é possível? — Camila perguntou, sem conseguir seg