Camila acordou com a sensação estranha de já conhecer aquele quarto, embora fosse a primeira vez que dormia ali por inteiro, sem interrupções, sem tiros, sem gente batendo à porta para avisar sobre algum novo desastre. A luz que entrava por entre as frestas da cortina deixava tudo num tom mais suave, menos ameaçador, e por alguns segundos ela se permitiu o luxo de apenas ficar deitada, sentindo o peso do braço de Rafael sobre a cintura, o corpo dele colado às costas, quente, sólido, quase confortável demais para a realidade em que viviam.
Ele se mexeu pouco depois, ajustando a posição, aproximando o rosto da nuca dela e respirando devagar, como se ainda se recusasse a voltar completamente ao estado de alerta. Camila pensou que nunca tinha visto aquele homem relaxado daquele jeito; até o modo como ele dormia parecia sempre pronto para reagir. Naquela manhã, porém, havia uma folga, uma brecha, como se a noite anterior tivesse roubado dele um pouco das defesas.
— Você está acordada — ele