A madrugada avançava com a lentidão de uma noite pesada quando Rafael cruzou o corredor rumo ao antigo escritório do pai. Ele caminhava com passos firmes, mas havia algo silenciosamente turbulento na forma como a mão dele se fechava e se abria ao lado do corpo, como se estivesse se preparando para entrar em um território emocional que evitou por anos. Camila o acompanhava de perto, sem tocar nele e sem dizer nada, porque conseguia sentir que aquela sala guardava mais do que memórias; guardava fantasmas.
O escritório de Alejandro Villalba era amplo, com móveis escuros e poucas janelas, e cada objeto parecia ter sido deixado exatamente onde estava no dia em que ele morreu, como se ninguém tivesse coragem de mover nada. O cheiro de madeira envelhecida, couro e charuto impregnado no ar dava a sensação de que o próprio Alejandro observava tudo dali. Rafael acendeu apenas uma luminária, criando sombras longas e profundas nas paredes, e abriu espaço sobre a mesa para a caixa metálica que Nic