CAPÍTULO 43 — O PASSADO NÃO FICA ENTERRADO
A madrugada avançava com a lentidão de uma noite pesada quando Rafael cruzou o corredor rumo ao antigo escritório do pai. Ele caminhava com passos firmes, mas havia algo silenciosamente turbulento na forma como a mão dele se fechava e se abria ao lado do corpo, como se estivesse se preparando para entrar em um território emocional que evitou por anos. Camila o acompanhava de perto, sem tocar nele e sem dizer nada, porque conseguia sentir que aquela sala guardava mais do que memórias; guardava fa