A manhã chegou sem pressa, iluminando a Hacienda com uma luz pálida que refletia o peso da noite anterior. Camila mal havia dormido; o silêncio do quarto de Rafael era reconfortante, mas, ao mesmo tempo, sufocante, porque cada detalhe da carta encontrada no escritório voltava à mente dela sempre que fechava os olhos. Ainda assim, estar ali, no espaço dele, cercada pelo calor discreto que o ambiente carregava, fazia com que algo dentro dela permanecesse de pé.
Quando ela desceu para o salão principal, encontrou Nicolás conversando com um dos funcionários mais antigos da casa, um homem magro, de cabelos grisalhos e postura curvada pelo tempo. Havia algo inquieto no olhar dele, como se carregasse um segredo há anos e, finalmente, tivesse decidido romper o silêncio.
— Camila — Nicolás chamou, aproximando-se dela com uma expressão grave — este é o senhor Epitácio. Ele trabalhava na Hacienda na época em que sua mãe esteve aqui.
O nome sozinho bastou para que o coração dela acelerasse.
— Voc