Rafael atravessou o laboratório com uma determinação feroz, e o modo como entrou no espaço — tenso, direto, tomado pela urgência — deixou claro que qualquer tentativa de evitar confronto seria inútil. O olhar dele percorreu Camila e Nicolás num movimento único, firme e avaliativo, como se precisasse confirmar num único segundo que os dois estavam inteiros, e só então permitiu que a voz saísse, grave demais, baixa demais para quem estava tentando manter controle.
— Digam agora o que encontraram.
Camila cruzou os braços com uma postura que misturava orgulho ferido e autopreservação, determinada a não ceder emocionalmente diante dele, mesmo com o corpo reagindo à presença dele de um jeito que ela desejava esquecer.
— Nicolás tem informações novas — ela disse, mantendo o tom neutro, quase técnico, embora sentisse a tensão subir no corpo apenas por estar tão perto de Rafael depois da madrugada que os dois haviam vivido.
Nicolás abriu a pasta sobre a bancada e colocou os documentos à vista.