Camila desceu a escada da ala leste com passos firmes, embora cada parte do corpo ainda carregasse a tensão da noite anterior, tanto física quanto emocional, porque a briga com Rafael reverberava em lugares que ela não sabia nomear e que preferia não encarar por enquanto. A pele ainda guardava o calor dos toques dele, o sabor do beijo ainda parecia grudado na boca, e a confusão deixada pelas palavras duras surgia e desaparecia como uma dor que não queria ceder. Quando finalmente chegou ao laboratório, fechou a porta por dentro e acendeu apenas a fileira de luminárias acima da bancada central, buscando refúgio no único lugar que não exigia dela nenhuma postura emocional. Sentou-se, abriu o caderno de anotações e ficou por alguns instantes apenas segurando a caneta, tentando acalmar a mente e empurrar para longe a imagem de Rafael levantando da cama e dizendo que aquilo “não deveria ter acontecido agora”.
Ela não chorou; não permitiu que o corpo cedesse a esse ponto. Mas a respiração ve