CAPÍTULO 32 — QUANDO O PASSADO GANHA ROSTO

Camila continuou encarando a imagem como se o tempo tivesse perdido a capacidade de avançar, e o peso da revelação pressionava o peito dela de um jeito tão íntimo e tão devastador que parecia vir de dentro, não de fora. Ver o rosto da mãe naquela foto — ou algo terrivelmente próximo dele — era mais do que uma surpresa: era uma ruptura, um colapso silencioso que atravessava os anos, as lembranças, os silêncios e os vazios que Ingrid sempre deixara para trás. Camila tentou engolir a seco, tentando reorganizar o pensamento, mas as ideias vinham rápidas e desordenadas, batendo umas nas outras como peças soltas de uma engrenagem que nunca funcionara direito.

— Isso não pode ser verdade — ela disse, sem saber se estava falando com Nicolás, com Rafael ou consigo mesma. — Minha mãe não… ela nunca… isso não faz sentido.

Rafael se aproximou antes que ela pudesse terminar a frase, colocando a mão na nuca dela com uma firmeza que ela não esperava, como se estivesse tentando impedir que ela desmor
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