Herrera não fala nada quando conecta o celular do funcionário desaparecido ao notebook. Apenas ajusta os óculos, senta direito na cadeira e começa a trabalhar com a paciência fria de quem já viu coisa demais para se surpreender facilmente. Camila observa do outro lado da mesa, sentada na beirada do sofá, com o bebê dormindo no quarto ao lado, enquanto Rafael anda de um lado para o outro, incapaz de ficar parado.
O silêncio do escritório pesa mais do que qualquer discussão.
— Ele não era organizado — murmura Herrera, mais para si do que para eles. — Pastas soltas, arquivos duplicados, fotos fora de ordem… gente assim sempre acha que não vai precisar esconder nada.
Rafael para de andar.
— Para de falar em código, Herrera. O que você encontrou?
Herrera ergue o olhar, sério.
— Ainda estou abrindo as camadas.
Ele clica em um arquivo que parecia inofensivo, salvo com um nome genérico demais para chamar atenção. Camila sente o estômago se apertar antes mesmo da imagem carregar. Quando surge