Rafael não saiu de perto dela depois da crise no banheiro. Quando Camila enxugou o rosto e voltou para o quarto, o rádio da segurança murmurava longe, o bebê dormia pesado no berço e a luz do abajur deixava tudo em meia sombra.
Ela se inclinou sobre o filho, ajeitou a manta, conferiu a respiração, passou os dedos pela barriga que subia e descia. Quando se virou, encontrou Rafael encostado na cômoda, mãos nos bolsos, o olhar preso nela com alívio, culpa, desejo e medo misturados demais para fingir que não via.
— Ele está bem — ela disse, num tom baixo.
— Vocês dois estão — respondeu. — É o que importa.
Camila caminhou até a cama, sentou na beirada, sentindo o corpo pesado. Rafael demorou um instante, depois se aproximou e sentou do outro lado. Ficaram calados, lado a lado, dividindo o mesmo colchão e a mesma distância.
— Eu sinto como se não existisse mais nada além desta casa, dele e de você — confessou. — Como se o resto do mundo tivesse sumido.
Rafael virou o rosto.
— Enquanto ele e