A madrugada avançava na hacienda com a casa em alerta constante. Depois do ataque falhado na cerca sul, Rafael reforçara rondas e dera uma ordem simples: qualquer coisa fora do padrão seria reportada na hora. Herrera percorria a ala interna quando notou luz acesa no depósito de material de manutenção, área que não fazia parte da ronda daquele turno.
Aproximou-se e espiou pela fresta. Um funcionário uniformizado mexia no armário das chaves, o boné baixado demais, os movimentos cuidadosos demais. Não parecia serviço de rotina.
— Héctor — chamou, num tom calmo. — Essa área hoje não é sua.
O homem sobressaltou, deixou uma chave cair, tentou sorrir.
— Disseram que uma cópia da cerca norte está emperrando, senhor. Vim pegar para testar.
Herrera não discutiu. Sabia que não havia ordem nenhuma daquela.
— Quem mandou?
Ele hesitou mais do que qualquer inocente.
— O patrão.
Foi o bastante. Herrera apertou o botão do rádio.
— Rafael, depósito interno de manutenção. Agora.
Héctor entendeu antes da