Rafael voltou para o quarto ainda com o corpo aceso de adrenalina. O cheiro de noite e diesel grudava na pele, o suor secava na nuca, a mente presa na imagem da cerca sul e do disparador ativado. Fechou a porta devagar, como se o som pudesse acordar outro tipo de perigo.
Camila estava ao lado do cercadinho, o bebê deitado, a mão pousada sobre a manta. Não tinha dormido. Desde o alarme, escutava motores lá fora e tentava adivinhar o que cada ruído queria dizer. Quando o viu inteiro na porta, o peito apertou de um jeito que doeu.
Por um instante, eles só se olharam. A porta do escritório fechada na noite anterior ainda existia entre os dois, assim como o peso dos relatórios. Mas, naquele segundo, o que mais pesava era a possibilidade de ele não ter voltado.
Camila ajeitou a manta no bebê, respirou fundo e atravessou o quarto. Não perguntou nada, não pediu explicações, não esperou desculpa. Parou diante dele e o abraçou.
O corpo dela bateu no dele com força inesperada. Rafael enrijeceu p