A madrugada tinha aquele peso estranho em que a casa parece suspensa quando o som cortou o quarto.
Rafael já estava em movimento. Num instante ainda dividia o colchão com ela, rígido, acordado pela metade; no seguinte, os pés estavam no chão, a mão indo direto à arma no criado, o corpo inteiro entrando em modo de guerra.
Ele agarrou o rádio, apertou o botão.
— Cerca sul. Confirmar disparo.
As respostas vieram misturadas: vozes avisando posição, correria no pátio, motor ligando, ordens rápidas. O bebê se mexeu no cercadinho, incomodado com o barulho.
Rafael vestiu a camisa de qualquer jeito, prendeu o coldre com a rapidez de quem já fez aquilo sob fogo cruzado.
— Fica aqui — disse, direto. — Tranca a porta. Não abre para ninguém que não seja eu ou o Herrera.
— Rafael…
— Eu volto. Tranca.
Abriu a porta, checou o corredor com o olhar afiado de quem enxerga rotas, não paredes, e desapareceu. O alarme continuava soando lá fora, misturado a passos corridos. Camila girou a chave com a mão tr