Herrera não dormiu depois do ataque falhado na cerca sul. Enquanto a casa tentava voltar ao estado de vigília tensa, ele desceu para a sala improvisada de monitoramento com o pedaço de tecido queimado num saco plástico, o cheiro de diesel ainda forte. Aquilo era pista, e pista para ele era obrigação.
Mandou mensagem para o perito de confiança, anexou fotos do pano, das pegadas e da marca amassada no arame. Pediu análise básica, comparação com o laudo antigo do caminhoneiro fantasma e cruzamento com oficinas da região. Não podia depender só da polícia local, contaminada por anos de favores com Arturo.
Quando Rafael apareceu na porta, barba por fazer, Herrera já tinha uma parede aberta com fotos, mapas e relatórios. O pedaço de tecido ocupava lugar de destaque sobre a mesa.
— Alguma coisa nova? — Rafael perguntou.
— No pano ainda não. Na placa, sim — Herrera respondeu. — O perito conseguiu puxar mais detalhes do registro parcial que a câmera captou na estrada.
Apontou para a tela, onde