O celular vibrou em cima da mesinha, um tremor curto no meio da tarde, enquanto Camila recolhia os brinquedos do bebê no tapete. Ela nem ia olhar, pronta para ignorar mais uma notificação qualquer, até perceber que não era nenhum dos nomes salvos. Número desconhecido.
Por um segundo pensou em apagar sem abrir. Desde que bilhetes começaram a aparecer na beira da estrada e uma janela fora forçada, qualquer coisa sem dono conhecido parecia um dedo batendo na porta. Ainda assim, o dedo dela deslizou.
Havia apenas uma linha de texto:
“Seu pai tentou limpar a sujeira. Agora alguém limpa a sua.”
As palavras demoraram um instante para atravessar o que ela tinha lido no relatório de Herrera: a ata com o nome do pai dela ao lado do pai de Rafael, a decisão que jogara a família Mena no inferno, a culpa empurrada para um bode expiatório conveniente. Quando finalmente fizeram sentido, o mundo estreitou.
O peito apertou, o estômago revirou. Não era só medo; era vergonha antiga, raiva, o luto por um