Depois da mensagem anônima e da foto no portão, Rafael passou o resto do dia cercado de mapas, relatórios e vozes no rádio, mas nada diminuía a sensação incômoda: por mais que reforçasse cercas e rotas, a parte mais vulnerável da hacienda continuava sendo a mesma, dormindo sozinha no fim do corredor.
Quando saiu do escritório, a noite já tinha caído. Viu seguranças espalhados pelo pátio, faróis cortando o escuro, janelas antes apagadas agora acesas. Encontrou Camila na sala, sentada no tapete com o bebê no colo e o celular na mesa, a tela virada para baixo. O rosto dela carregava cansaço, medo e o resto de mágoa pelo afastamento dele.
Rafael parou à frente dos dois, sem rodeios.
— Faz a mala.
Ela ergueu os olhos, sem entender.
— O quê?
— Suas coisas e as dele. Vocês não dormem mais naquele quarto.
— E vamos dormir onde, então?
— No meu.
A resposta foi simples, mas tirou o ar dela. O quarto dele era tudo o que ela vinha tentando organizar na cabeça: banheira, discussões, beijos interro