Rafael cumpriu o que prometera na noite anterior, embora a promessa não tivesse sido feita em voz alta, e sim no jeito como fechou a porta do escritório. Na manhã seguinte, o lugar dele à mesa ficou vazio, a cadeira empurrada de qualquer jeito, o prato intacto. Camila desceu com o bebê no colo esperando encontrá-lo em algum canto da sala principal, mas não havia traço dele além de copos sobre a mesa e da manta jogada no sofá, prova de que tinha dormido ali.
Nazaré trouxe café, recolheu as louças, comentou qualquer coisa sobre o movimento na estrada, porém em nenhum momento disse o nome dele, como se também aguardasse para ver se o patrão surgia por conta própria.
Camila alimentou o bebê, tentou brincar com ele no tapete e seguir a rotina que vinha se agarrando desde que a ameaça ganhara rosto, mas o corpo parecia sempre meio virado para a porta.
Foi só quando subiu para pegar uma troca de roupa do filho que ouviu, vindo do fundo do corredor, o som de cadeira arrastando e o toque de pá