Herrera apareceu no meio da manhã com uma pasta fina de arquivos, o rosto mais carregado do que de costume, como se o peso não estivesse no papel, e sim no que aquilo significava. Camila estava na sala com o bebê no tapete, fingindo brincar enquanto a cabeça girava entre janelas forçadas e funcionários sob vigilância. Rafael falava ao telefone perto da janela, o corpo tenso de quem já não separava trabalho, família e guerra.
Quando Herrera entrou, os dois sentiram que não era só mais uma atualização. O capitão fechou a porta, esperou Rafael encerrar a ligação e ergueu a pasta como se oferecesse uma prova que preferiria continuar escondendo.
— Isso veio de um arquivo antigo de seguradora — explicou. — Deveria ter sido destruído.
Rafael pegou a pasta, soltou o elástico e o cheiro de papel guardado por anos subiu.
— O que é? — Camila perguntou, aproximando-se.
Herrera respirou fundo.
— Ata de reunião entre o conselho da Villalba Export e a Mena & Filhos, quinze anos atrás — respondeu. —