Rafael passou o resto daquele dia como se tivesse apagado uma parte de si. Não foi cena, não foi discurso; foi ausência. A presença física dele continuava ali, entre a sala principal, o escritório e as conferências com Herrera, mas a forma como atravessava a casa deixou claro para Camila que alguma porta tinha batido por dentro. Ele falava com seguranças, com Esteban, com o pessoal da logística. Quando precisava dela por perto, era pelo bebê.
Ela percebeu primeiro na hora do almoço. Sentou à mesa com o filho no colo. Rafael chegou alguns minutos depois, o rosto sombrio, a pasta com o relatório debaixo do braço. Cumprimentou geral com um aceno curto, sentou sem perguntar se ela já tinha comido e passou a checar mensagens no celular, o prato intocado.
Camila esperou alguma frase, um comentário sobre a febre da noite anterior ou sobre o bilhete. Veio só uma pergunta objetiva.
— O pediatra falou mais alguma coisa?
— Disse que era reação, que é para observar, hidratar. Ele está bem.
Rafael