Aquela noite começou antes mesmo de o sol se pôr. Depois do bilhete da estrada, da janela forçada e da febre do bebê, a Hacienda parecia um organismo acordado, nervos expostos em cada corredor. Rádios estalavam em intervalos curtos, passos cruzavam o pátio, luzes externas permaneciam acesas além do habitual.
Camila subiu com o filho no colo tentando forçar alguma rotina. Deu banho morno, passou creme com movimento automático, ajeitou fralda e vestiu o macacão mais leve. O termômetro marcava temperatura estável, e o peito dela respirou um pouco melhor, mas a cabeça continuava presa na janela aberta, no papel amassado dizendo ainda não é você, mas vai ser, na frase da Nazaré sobre inimigos à mesa.
Colocou o bebê no berço e ficou ao lado, sentada na poltrona, uma perna dobrada, o braço apoiado na madeira. Deixou o abajur aceso, luz baixa espalhada pelo quarto, e reparou na claridade firme do corredor, reflexo da vigília reforçada.
Tentou fechar os olhos por um minuto, mas bastou a respir