Camila ficou um tempo sentada na beira da cama, sem decidir se queria chorar, dormir ou ir atrás dele. A cabeça girava em torno das últimas horas: Herrera falando em prazo, Rafael admitindo que não queria aquilo para ela, as mãos dele em seu rosto, a frase sobre qualquer homem ter de passar por ele primeiro. Nada combinava com o discurso frio de que ela precisava pensar em ir embora e não se apegar demais a ele.
Tentou se agarrar à rotina. Preparou uma caneca de chá, conferiu o bebê dormindo tranquilo, a mãozinha solta sobre o colchão, sentou na poltrona com uma manta sobre as pernas. Levou o chá à boca; o gosto morno não acalmou nada. A sensação de estar suspensa, no meio de uma guerra que não começou, não cedia.
O que apertava não era o caminhoneiro, nem a placa parecida, nem a estrada. Era a forma como Rafael a colocava no centro daquilo tudo sem admitir que ela também ocupava um lugar no centro dele. Ele movia rotas, reforçava vigilância, mexia em homens e armas em nome da seguran