Camila estava na varanda interna, sentada numa cadeira de madeira com uma xícara de chá esquecida entre as mãos. O líquido já tinha esfriado, mas ela não sentia gosto de nada. A cabeça rodava em torno do que tinha acontecido no escritório: o jeito como ele segurou seu rosto, a proximidade, a frase sobre qualquer homem ter de passar por ele, o quase que ficou pendurado entre os dois.
O silêncio agora pesava mais do que qualquer briga. Ela tinha voltado para o quarto, tentado deitar, levantado de novo, até desistir de fingir que o corpo queria descanso. Acabara ali, ouvindo o som distante da noite, respirando devagar como se isso bastasse para pôr ordem por dentro. Não bastava. Cada vez que fechava os olhos, via os dele e sentia a mão que quase tocou, o beijo que quase veio, a confissão que quase escapou.
Pensou que poderia simplesmente deixar tudo como estava: aceitar o cuidado obsessivo, o desejo que queimava, a proteção sem nome. Mas a pergunta batia mais forte. Se não perguntasse, n